A escola é o lugar em que as pessoas se reúnem para ensinar e aprender; sem essas atividades, perderia a razão de ser. Na tentativa de estabelecer uma boa relação entre o ensino e a aprendizagem com respeito à Matemática, alguns métodos utilizados atingem acentuados índices de eficiência, apesar da ausência de uma teoria específica e norteadora dos trabalhos pedagógicos. No entanto, ansiedades, incertezas, limitações e frustrações também compõem o quadro da educação e o fracasso escolar ainda se impõe nas estatísticas oficiais brasileiras.

Sabe-se que, com o passar do tempo, a Matemática ensinada ou apresentada aos alunos em sala de aula muitas vezes tem se mostrado complicada, desagradável, desinteressante e distante de ser prazerosa, sobretudo, deficiente na proposta quanto ao aprender. Acredita-se ainda que o fato de não compreender em que situação de sua vida se aplicam alguns desses conceitos da matemática escolar, é possível destruir um dos fatores mais importantes para a aprendizagem do aluno: a motivação, fator de estreita relação com o sentido e o significado dos conteúdos abordados em sala de aula.

Notadamente, uma das discussões na atmosfera educacional é a relação entre a aprendizagem, seus fatores influenciadores e o desempenho escolar. Assim, surgem indagações vinculadas às práticas de muitos professores de Matemática dos anos iniciais do Ensino Fundamental, tais como: o desdobramento de estudos teóricos sobre jogos e sua utilização para o ensino de Matemática pode resultar em índices mais favoráveis e reais?

Tapia (2000) reafirma a importância de que a aprendizagem seja um processo de mobilização cognitiva, mas desencadeado por aspectos afetivo–relacionais como a motivação e o prazer. Esse é o ponto de merecida atenção. Especialmente para você, professor(a), interessado(a) na temática dos jogos matemáticos, e que talvez não esteja entendendo por que tantas palavras com respeito à aprendizagem.

Segundo GUEDES (2005), jogar é uma atividade extremamente prazerosa. Por que não popularizar os jogos matemáticos? Se assim o fizermos, a própria Matemática será mais popular. Assim, diversos trabalhos têm sido desenvolvidos nesse sentido, ainda que de forma pontual, como citamos, estabelecendo resultados significativos para a educação matemática no Brasil e no mundo. Com o uso dos jogos, educadores movidos pelo desejo audacioso conquistam de forma ingênua e espontânea outros fatores importantes para a aprendizagem matemática, como:

  • Motivação dos alunos para adquirir conceitos matemáticos importantes;
  • Motivação do professor para diversificar o método de ensino, que possibilita resultados significativos na aprendizagem dessa disciplina;
  • Construção de situações de ensino e aprendizagem que auxiliam o professor a detectar os alunos que estão com dificuldades reais;
  • Possibilidade de o aluno viver situações em que possa demonstrar ao professor e aos colegas se o conteúdo foi bem assimilado;
  • Possibilidade de vivenciar situações entre jogadores e adversários, em que, almejando vencer, aperfeiçoem-se e ultrapassem seus limites;
  • Formação de um aluno mais crítico, alerta e confiante, que expressa o que pensa, elabora perguntas e tira conclusões sem a necessidade da interferência ou aprovação do professor;
  • Minimização do medo de errar, já que no jogo o erro é considerado um degrau necessário para se chegar a uma resposta correta;]
  • Atmosfera de uma aula diferente, interessante e divertida, fazendo com que o aluno aprenda sem perceber;
  • Aumento do acervo de brinquedotecas de diversas escolas;
  • Aproximação da relação entre matemática e prazer, para professores e alunos;
  • Demonstração de que certos conceitos matemáticos aparentemente teóricos, abstratos e desinteressantes, adquirem um novo significado, potencializados por fatores existentes em ambientes de jogos, muitas vezes familiares aos alunos;
  • Desenvolvimento de um método de ensino que use jogos matemáticos otimizados como ferramentas de aprendizagem significativa, influenciando diretamente no desempenho positivo dos alunos;
  • Suporte de material pedagógico planejado, desenvolvido e testado para encontros, congressos e semanas educacionais, por meio de oficinas de jogos matemáticos e suas implicações para os anos iniciais do Ensino Fundamental.

Desse modo, arrisque experimentar o uso dos jogos em sua prática pedagógica, e verá que ao longo do processo de pesquisa e planejamento, confecção, aplicação e avaliação dos jogos, você vivenciará situações de extrema motivação, prazer, criatividade e preparo; fatores de grande relevância para o ensino da Matemática e a formação profissional. Por outro lado, em relação aos seus pequenos jogadores, será gratificante perceber cada objetivo proposto sendo alcançado em proporções e itens variados.

 

Referências
COLL, C. Significado y sentido en el aprendizaje escolar. Infância y aprendizaje. v. 41, p. 131-42.
GUEDES, Silva Marina. Matemática no cotidiano infantil. Campinas: Papirus, 2005.
MELO, Jezreel S. de. A aprendizagem significativa: função de fatores cognitivos e sócio-emocionais. 2006. 94f.
Monografia (Pós-graduação no Curso de Metodologia do Ensino Superior), Faculdade Adventista da Bahia, Cachoeira, 2006.
_______. Técnicas de amostragem aplicadas ao desempenho escolar: função de fatores influenciadores da aprendizagem significativa. 2006. 99f. Monografia (Pós-graduação no curso de Matemática e Estatística), Universidade Federal de Lavras, Minas Gerais, 2006.
_______. Por que jogar para aprender: 30 jogos matemáticos para os anos iniciais do Fundamental. Feira de Santana: Gráfica dos livros, 2011.
TAPIA, Jesùs A.; FITA, Enrique C. A motivação em sala de aula: o que é e como se faz. Tradução de Sandra Garcia. 9. ed. São Paulo: Loyola, 2000.

 

Imagem: Lil_22/Fotolia
Fonte: Revista CPB Educacional – 1º semestre 2014.